22 de Julho – Dia de Maria Madalena

Quem foi Maria Madalena?

Maria Madalena foi uma mulher judia que, de acordo com as escrituras do Novo Testamento, acompanhou Jesus em meio a seus seguidores. Diz-se que ela teria testemunhado sua crucificação, assim como sido a primeira pessoa a receber a notícia a respeito de sua ressurreição. Seu nome é citado por diversas vezes em alguns dos evangelhos, entre os quais o de Lucas e Marcos, em que se diz que Jesus teria expulsado sete demônios de seu corpo (associados posteriormente aos Sete Pecados Capitais).

Contudo, convém explicar que tal expressão pode estar associada tanto a um fenômeno de possessão como a um estado de enfermidade física e mental – eventos que dentro da seara espiritualista podem se encontrar relacionados.

Maria Madalena e Jesus

A origem de seu nome

O nome Madalena estaria relacionado a Magdala (Aramaico: מגדלא / Magdala, significando “elegante”, “grandioso” ou “torre”; Hebraico: מגדל / Migdal, significando “torre”; Árabe: قرية المجدل / Qariyat al-Majdal), um povoado localizado ao norte de Tiberíades e a oeste do Mar da Galiléia, em Israel. Desta maneira, seu suposto sobrenome teria o valor de um adjetivo, denotando sua origem (sendo ela também conhecida como Maria de Magdala).

Existe, ainda, a suposição de alguns estudiosos a respeito da relação entre o significado de seu nome e sua suposta estatura espiritual, por se tratar de uma figura incontestavelmente devotada a Jesus. Entretanto, pode-se rapidamente concluir que tal exposição vai de encontro à hipótese anterior – o que, contudo, não a desqualifica enquanto mistério em detrimento de questões históricas.

Santidade e a visão medieval

Maria Madalena é vista como santa pelas igrejas CatólicaOrtodoxa, Anglicana e Luterana. Contudo, entre os séculos VI e VII, a Igreja Latina passou a associar sua imagem com a de outras mulheres que aparecem nos Evangelhos, como a pecadora que unge os pés de Jesus na casa de Simão, o fariseu – relação abertamente combatida por alguns estudiosos eclesiásticos que já haviam apontado Maria, irmã de Lázaro, como a protagonista associada a tal episódio – e que, por sua vez, também não apresenta qualquer conduta pecaminosa a se considerar.

Como agravante, durante o século XI, devido às influentes palavras proferidas pelo Papa Gregório I durante uma homilia, generalizou-se a idéia de que as três personagens (a suposta pecadora, Maria Madalena e Maria, irmã de Lázaro) seriam a mesma pessoa.

Tal conflito é abordado no episódio Mary Magdalene: the clichés, do documentário Religions, produzido pela emissora britânica BBC.

Sobre esta questão, a Igreja Ortodoxa desconsidera qualquer noção subversiva em torno da imagem de Maria Madalena, enxergando-a tão somente como seguidora de Jesus e seus preceitos.

Sincretismo com a Umbanda

Na Umbanda, Maria Madalena é sincretizada com o arquétipo do Orixá Pombagira (Pombogira ou Bombogira), que traz em si a energia feminina do desejo e é representado por entidades que, por trabalharem sob esta linha, carregam consigo o título dado à sua égide. Por ser associada à figura da prostituta, Maria Madalena é patrona das mulheres  erráticas e protetora dos lares de reabilitação e combate à prostituição.

Maria PadilhaPombagira

Para mais informações a respeito do sincretismo estabelecido entre a linha de Esquerda na Umbanda e o Cristianismo, clique aqui.

Evangelhos apócrifos e textos gnósticos

Entre os textos recém-descobertos em escavações nos quais Maria Madalena possui papel de destaque, encontram-se o Evangelho de Maria, o Evangelho de Tomé, o Evangelho de Filipe e o Pistis Sophia.

Por sua relevância para a Igreja Primitiva, tal conteúdo é adotado por dissidentes do pensamento Católico, como os adeptos do Gnosticismo. Por esta razão, diz-se haver uma disparidade entre os apóstolos de Jesus e a figura de Maria Madalena, tendo em vista que à época, uma mulher jamais poderia ser melhor considerada por um líder do que um homem. Eis o motivo real pelo qual os membros desta ou daquela instituição a antagonizam com Pedro, o apóstolo responsável pela fundação da primeira igreja cristã.

Pistis Sophia

Ainda que alguns deles possuam tal nomenclatura, não podem ser considerados como Evangelhos, tendo sido escritos entre o século I e o século IV da Era Cristã, trazendo revelações secretas instruídas por Jesus após a Ressurreição.

Para maiores informações a respeito dos textos apócrifos oriundos da Biblioteca de Nag Hammadi encontrados em 1945 no Egito (Os Manuscritos do Mar Morto), recomendamos a leitura dos livros The Nag Hammadi Scriptures, organizado por James M. Robinson (aqui você encontra a versão traduzida e editada pela Madras Editora), e O Mistério do Pergaminho de Cobre de Qumran, de Robert Feather.

Após o discipulado

Conforme se disseminou entre os Cátaros durante a Idade Média, após ter se distanciado do apostolado de Jesus e sido perseguida pela Terra Santa, Maria Madalena teria navegado com Lázaro através do Mar Mediterrâneo, alcançando o porto de Saintes-Maries-de-la-Mer, na Gália. De lá, seguiu para Marseille, durante um período em que os cristãos eram rechaçados e iniciou a evangelização dos habitantes de Provença. Diz-se que Maria Madalena encerrou seus dias em jejum, adotando atos de penitência após ter se recolhido à natureza. Sua morte teria se dado em Aix-en-Provence ou Saint Maximin, onde seus restos mortais teriam permanecido até serem levados a Vezelay e a partir de então, um culto se estabeleceu acerca de sua imagem.

Tal relato – considerado como uma lenda – não é sustentado pela Igreja Ortodoxa, que apresenta uma versão completamente diferente dos fatos ligados ao desfecho de sua vida: segundo sugere a tradição oriental, Maria Madalena teria acompanhado a mãe de Jesus até a cidade de Éfeso, na Grécia, onde veio a falecer. Seus restos foram encaminhados a Constantinopla em 886.

Om.