30 de Maio – Dia de Obá / Joana D’Arc

Orixá

Obá, considerada por alguns adeptos das religiões afro-brasileiras e afro-cubanas como a primeira esposa de Xangô e por outros como a terceira, é um Orixá feminino estreitamente associado à guerra e ao sacrifício. Possui relação direta com o rio Níger.

Esposas de Xangô.

Rio Níger.

Diz-se que, por ser aguerrida, foi capaz de derrotar alguns dos Orixás masculinos, como Obatalá (Oxalá), Oxóssi, Oxumaré, Orumilá, Obaluayê e Exu. Entretanto, Obá teria sido derrotada por Ogum e possuída por ele, tornando-se sua esposa.

Ogum possuindo Obá.

O antropólogo francês Pierre Verger, em seu livro Lendas Africanas dos Orixás, aprofunda detalhes a respeito do embate, ilustrando que o Orixá da guerra havia previamente consultado Ifá antes da batalha e realizado oferendas compostas por diversas espigas de milho e quiabo a fim de se tornar vitorioso.

Obá e as demais esposas de Xangô

Entre tantas lendas envolvendo Obá, a mais famosa conta que a esposa de Xangô – induzida por Oxum, em algumas versões, e por Iansã (também conhecida como Oyá ou Ọya) em outras – teria decepado as próprias orelhas e as cozinhado para preparar um prato para seu marido. Por este motivo, ela teria sido repudiada e expulsa de casa por ele.

Em Mitologia dos Orixás, Reginaldo Prandi nos relata outra alegoria em que, tomada pelo desespero de se encontrar distante de Xangô após tê-lo visto convocar Iansã para conquistar novos territórios e graças à intervenção de Oxum, Obá acidentalmente causa a morte do cavalo branco que teria dado a seu marido ao se dispor a oferendar um iruquerê feito a partir dos pêlos de sua cauda.

Desta maneira, torna-se visível sua devoção à figura do marido e aos afazeres domésticos, assim como uma notável propensão ao ciúme – aspecto bastante visível entre suas filhas.

Sincretismo

Obá é sincretizada com Joana D’Arc, padroeira da França, devido à sua natureza bélica e às suas feições masculinizadas – característica adotada pela heroína francesa ao cortar o próprio cabelo e se vestir como um homem, a fim de atravessar o território em que se encontravam seus inimigos.

Nascida em 6 de Janeiro de 1412, Joana D’Arc ficou conhecida como “a donzela de Orleáns” e foi responsável por expulsar o poderio inglês do norte da França durante a Guerra dos Cem Anos. Orientada por visões e pelas instruções de São Miguel e de Santa Catarina (com quem também é sincretizada tomando-se como referência o aspecto devocional entre si), a camponesa lutou bravamente para devolver o trono francês a seu legítimo herdeiro – o rei Charles VII.

Santa Catarina de Alexandria.
Santa Catarina de Siena.
Santa Catarina de Siena atacada por demônios.
Joana sendo orientada por Santa Catarina. Pintura de Hermann Stilke (1843).

Contudo, ainda que vitoriosa ao término da Batalha de Orleáns, Joana foi designada para confrontar uma investida realizada pelos Burgúndios – aliados de seu inimigo – durante a qual foi capturada, entregue aos ingleses e submetida a um julgamento sob a acusação de heresia, tendo sido queimada na fogueira em praça pública em 30 de Maio de 1431.

Joana D’Arc prestes a ser queimada na fogueira. Pintura de Hermann Stilke (1843).

Joana D’Arc foi canonizada em 16 de Maio de 1920 e é altamente reverenciada por sua história. Considera-se ainda que, por hereditariedade, a Virgem de Loraine, como também ficou conhecida, era Templária.

Símbolos, ferramentas e oferendas

Obá

Entre as armas de Obá, encontram-se o Iru Kere (ou iruquerê, cetro composto por pêlos retirados do rabo de um cavalo), o ofá (arco e flecha),  ofangi (espada) e o escudo de cobre.

Segundo O Livro Essencial de Umbanda, de  Ademir Barbosa Júnior, as cores de Obá são o vermelho e o marrom. A deidade se encontra ligada ao elemento fogo e às águas revoltas dos rios. Já na Umbanda Sagrada, vertente canalizada por Rubens Saraceni, a vela utilizada para este Orixá possui coloração magenta e ele ocupa o Trono do Conhecimento (Telúrico-Vegetal), fazendo par com o Orixá Oxóssi e objetivando o esgotamento dos negativismos relacionados aos desequilíbrios mentais.

Nas festas da fogueira de Xangô (São João), carrega as brasas para o reino de seu amado. Os pratos de comida ligados a Obá são o abará, o acarajé e o quiabo.

 

Abará.
Acarajé.

Entre suas ervas e plantas encontram-se o manjericão e a rosa branca.

Rosa branca

Esta publicação é dedicada à memória de Luiz Manoel Guimarães, pai, professor, músico e seguidor incontestável dos mais elevados preceitos difundidos por Jeanne d’Arc, personagem que o orientou até seu desencarne, ocorrido durante o alvorecer do dia 11 de Maio deste ano.

Obà Siré!