23 de Abril – Dia de Ogum

Orixá

Na mitologia Yorùbá, Ogum (Ògún; também conhecido em Português como Ogulê, na América Latina como Ogún e entre os adeptos do Vodun Haitiano cultuado como o loa Ogoun ou Gu) é o Orixá ferreiro, senhor da guerra, do ferro, da agricultura e da tecnologia. É conhecido por forjar suas próprias armas e ferramentas – tanto para a caça, como para a agricultura e para a guerra.

Gu, o loa associado à guerra no Vodun Haitiano.
Gu, o loa associado à guerra no Vodun Haitiano.
Vèvè de Ogoun, utilizado entre os adeptos do Vodun Haitiano.
Vèvè de Ogoun, utilizado entre os adeptos do Vodun Haitiano.

Considerado como o primeiro Orixá a descer do Òrun para o Àiyé, Ogum possui estreita relação com o Orixá Exu (Èṣù), o mensageiro que estabelece a comunicação entre os seres humanos e os deuses (deidades).

As cores associadas ao Orixá são o azul escuro e o vermelho (diz-se que esta é a tonalidade utilizada em trabalhos nos quais as entidades que atuam sob a égide de seu Trono encontram-se engajadas na quebra de demanda) na Umbanda, embora também se possa encontrar o verde relacionado a ele.

Mito

Ogum é considerado o primeiro Orixá a adentrar o Ilé Àyié, ou o mundo material, representado pelo planeta Terra, onde a vida humana se desenvolveria. Em algumas tradições aparece portando consigo o machado com o qual abriu caminho para a descida das demais deidades do panteão Yorùbá e encontra-se acompanhado de um cachorro. Diz-se que, por conta deste feito, alguns o nomeiam pelo oríkì (título) Osin Imole, cuja tradução é “o primeiro Orixá a vir à Terra”.

Ogum com seus símbolos: a bigorna, o inhame, o feijão e o cachorro.

Filho de Odùduwà (rei de Ifé) e Yemu (a primeira manifestação de Yemanjá, expressa pela calma do mar), Ogum assumiu o lugar de seu pai quando este se tornou momentaneamente cego.

Rei de Ìré

Segundo o antrópologo Pierre Verger em seu livro Lendas Africanas dos Orixás, levado por sua natureza sanguinária, Ogum dominou a cidade de Ì, no estado de Èkìtì (Nigéria), matou seu governante local, coroando seu próprio filho como substituto para o antigo soberano. Por esta façanha, Ogum ficou conhecido como Oníìré ou “o rei de Ìré”.

Ogum, por Carybé.

Seus devotos acreditam que ele tenha wo ile sun, ou “afundado na terra ao invés de morrer”.

Símbolos e ferramentas de Ogum

Entre as ferramentas utilizadas para se realizar o igbá (assentamento) de Ogum, encontram-se a bigorna, a , a enxada, a faca, a espada e demais utensílios relacionados ao ferro e a outros tipos de metal que se disponham à dominação da natureza.

Sincretismo

No Rio de Janeiro, o Orixá é sincretizado com São Jorge. Na Bahia, com São Sebastião. Nota-se, desta maneira, uma inversão entre a associação que se estabelece entre estes santos católicos e as imagens de Ogum e Oxóssi nas localidades citadas. Para maiores informações a respeito destas figuras, clique aqui.

Saint George and the Dragon, de Gustave Moreau (1889-90)
Fonte: http://www.nationalgalleryimages.co.uk/
Copyright © The National Gallery, London

Há ainda aqueles que o relacionam a Santo Antônio de Pádua – santo sincretizado com o Orixá Exu e que, portanto, pode se encontrar neste caso conectado à figura do Senhor Tranca-Ruas – entidade que atua sob a égide e sob o mistério Tranca-Ruas, de Ogum. Futuramente abordaremos estes dois personagens em uma publicação específica.

Santo Antônio de Pádua e o Menino Jesus.
Senhor Exu Tranca-Ruas

Na Santería Cubana, encontra-se relacionado a São Pedro (apóstolo que, por deter as chaves para o Céu, relaciona-se com a idéia de caminho), São Paulo (apóstolo combativo que, após perseguir os seguidores de Jesus, passou a reconhecê-lo, disseminando sua mensagem), São João Batista (aquele que representava a conexão com o Altíssimo através do sacramento batismal), São Miguel Arcanjo (o comandante do exército celestial) e São Rafael Arcanjo (arcanjo relacionado ao vigor físico).

Oferendas a Ogum

Os alimentos oferecidos a Ogum abrangem o feijão (através do preparo da feijoada) e o inhame, entre outros.

A planta reconhecidamente associada a este Orixá é a espada-de-são-sorge, havendo, ainda, relação entre ele e a folha de palmeira, entre tantas outras.

Em breve disponibilizaremos maiores informações sobre os elementos que melhor se conectam com cada uma das deidades que abordamos, entrecruzando rituais de diferentes panteões.

ÒGÚN YÈ, PÀTÀKÌ ORÍ ÒRÌṢÀ!