02 de Fevereiro – Dia de Iemanjá

Orixá

Iemanjá (do yorùbá: Yèyé omo ejá; também conhecida como Yemọjá na Nigéria, Yemaya em Cuba, ou ainda Yemanjá ou Yemonjá no Brasil) é o Orixá das águas doces e salgadas, relacionando-se especialmente com as desembocaduras, ou conexões entre os rios e o mar. Por esta razão, Iemanjã é também conhecida no Brasil por outros epítetos, como: Iyá Ori, Mãe d’água, Rainha do Mar, Sereia, Inaê, Aiucá ou, ainda, Maria princesa do Aioká, estando associada à maternidade, à fertilidade feminina e ao papel primordial de criação do Àiyé, em meio ao processo cosmogônico. Diz-se, ainda, que sua imagem sustenta o sopro da vida – conceito traduzido a partir do termo Èmí, energia que sustenta e anima a existência no mundo físico.

Desta maneira, segundo a Umbanda Sagrada, linha canalizada por Rubens Saraceni, Iemanjá possui conexão com o cakra (ou chakra) básico, ou Mūlādhāra.

Suas cores são o branco, na Umbanda, e azul, no Candomblé.

As origens de Iemanjá

As origens de Iemanjá estão ligadas ao povo Ẹ̀gbá, que durante o século XIX veio a se deslocar para a cidade de Abẹ́òkúta, ao sudoeste da Nigéria.

“[…]é o orixá das águas doces e salgadas dos Egba, uma nação yoruba estabelecida outrora na região entre Ifé e Ibadan, onde existe ainda o rio Yemọjá. As guerras entre nações yorubas levaram os Egba a emigrar na direção oeste, para Abeokuta, no início do século XIX. […] O rio Ògùn, que atravessa a região, tornou-se, a partir de então, a nova morada de Iemanjá.” – Pierre Verger

Abeòkúta Abeòkúta

Cultuada como a mãe dos Orixás, considera-se que Iemanjá tenha nascido da união entre Olorum (Olódùmarè) e Olokun (ou Olóòkun), respectivamente o Senhor do Òrun – o mundo espiritual – e a divindade dos oceanos (em Ifé esta deidade é vista como sendo do sexo feminino, enquanto que, em Benin, ela é considerada como do sexo masculino).

Mito

De acordo com o antropólogo Pierre Fatumby Verger, Iemanjá teria se unido durante seu primeiro casamento a Orunmilá, o Orixá dos oráculos (evento amplamente celebrado entre os adeptos do Ifá Afro-Cubano nos dias de hoje). Em seu segundo casamento, ela teria se unido a Olofin Odùduwà, rei de Ifé, com quem teria tido dez filhos.

Conta a mitologia yorùbá que, cansada de viver ao lado de seu soberano, Iemanjá teria migrado para o Oeste, alcançando a região conhecida como o “entardecer da Terra”, onde se localiza a cidade de Abẹ́òkúta. Ao chegar lá, ela teria despertado o desejo de Okere, rei de Xaki, que logo decidiu pedí-la em casamento. Contudo, por ter amamentado seus dez filhos por tempo demasiado, Iemanjá teria desenvolvido seios enormes – o que lhe causava bastante constrangimento – e, assim, ela apenas concordaria em se casar com Okere caso ele jamais a ridicularizasse por este atributo.

Após a cerimônia, algum tempo se passou e, um dia, Okere, retornando para casa enebriado, tropeçou, caindo sobre Iemanjá, o que a motivou a recriminá-lo. Irado, o rei de Xaki começou a ofender Iemanjá, referindo-se pejorativamente aos seios de sua esposa.

Iemanjá decidiu fugir, indo de encontro ao mar, morada de Olokun, sua mãe.

Oferenda a Xangô

Muitos são os desfechos atribuídos a este conto folclórico. Em determinada versão, diz-se que Okere teria perseguido Iemanjá – o que, em certo momento, a fez tropeçar, quebrando uma garrafa que carregava consigo e que lhe fora entregue por sua mãe para que fosse utilizada frente a algum perigo.

A partir de então, surge do chão um rio que iria encaminhá-la até o mar, não fosse Okere buscando bloquear sua passagem ao transformar-se em uma grande montanha. Encurralada, Iemanjá decide pedir auxílio a Xangô, um de seus filhos, fazendo-lhe uma oferenda e sendo retribuída pelo Orixá da Justiça, que com seu raio, divide a montanha ao meio.

Símbolos e ferramentas de Iemanjá

Conforme ilustrado por Lydia Cabrera em seu livro Iemanjá & Oxum, entre os atributos de Iemanjá (confeccionados em prata, aço, latão ou chumbo),  encontram-se: o sol (oru), a lua cheia (ochú), uma âncora (dakoduro), um salva-vidas (yika), uma canoa (okokeré) ou um barco (oko), sete ramos (alami), sete aros de prata (bopa), uma chave (chileku) e uma estrela (irawo).

Sua principal ferramenta é o abebé, leque prateado que ela ostenta em uma de suas mãos.

Sincretismo

Por sua natureza ancestral fortemente associada à maternidade, Iemanjá é sincretizada com Nossa Senhora da Conceição (especificamente em linhas oriundas do Candomblé , enquanto em vertentes mais recentes da Umbanda, esta imagem Católica é associada a Oxum), Nossa Senhora dos Navegantes e Nossa Senhora das Graças.

Convém observarmos os similares aspectos simbólicos entre as duas imagens, como a presença de estrelas em torno de cada uma das santas retratadas, assim como a Lua aos pés da imagem de Nossa Senhora da Conceição, tendo em vista a influência deste corpo celeste sobre os ciclos terrestres, como a colheita, as cheias e, mesmo, os ciclos menstruais – todos relacionados com a construção arquetípica e a natureza orgânica feminina.

Iemanjá na Umbanda

Seu reino é fundamentado no mistério aquático e seu ponto de força é a praia. Sua linha de atuação abarca caboclos e caboclas dos mares e dos rios, pescadores, marinheiros, piratas, sereias e princesas do mar.

Oferendas

Entre os elemento básicos para se compor uma oferenda a este Orixá, pode-se utilizar tanto a água salgada como a areia coletada em qualquer balneário para trabalhos de descarrego ou evocação de seus falangeiros; pode-se também fazer uso do mesmo recurso a fim de se estabelecer conexão com sua presença elemental sutil fora de seu campo natural de atuação.

Além disso, Iemanjá está relacionada a alimentos da cor branca, como manjar e suspiros. No Candomblé, é comum também se oferecer peixes e crustáceos, além de frutas como melancia, melão, sapoti, nêspera, mangaba, jenipapo, uvas verdes e pêra. Pode-se, ainda, ofertar flores como a rosa branca e o miosótis, assim como velas de cor azul claro.

Em breve postaremos algumas referências entre a imagem de Iemanjá e sua construção arquetípica, considerando-se conexões entre ela e referências planetárias, assim como menções às cartas da Alta Sacerdotisa (ou Papisa) e da Lua, no Tarot.

Omi, Omi, Odò Ìyá Ògùn! Salve Iemanjá!