20 de Janeiro – Dia de Oxóssi

Orixá

Oxóssi (Candomblé) ou Oxósse (Omolokô) é o Orixá das matas, das florestas, dos animais, da caça e da fartura. Associado à busca por alimento, hoje em dia ele é referenciado como o patrono daqueles que trabalham para prover sustento. Oxóssi representa, ainda, a astúcia, a velocidade de raciocínio, o conhecimento e a sabedoria, sendo estas as principais qualidades encontradas naqueles que possuem este Orixá em seu Ori.

Suas cores são: verde, na Umbanda, e azul claro, no Candomblé. Eventualmente, pode-se também encontrar relação entre o orixá e a cor amarela. O cakra (ou chakra) ao qual se relaciona é o ājñā, ou o terceiro olho, por força de sua relação com os processos mentais.

Origens

Conforme se ensina entre os adeptos dos cultos Afro-Brasileiros, no passado, cada orixá era originalmente reverenciado em cidades ou nações específicas, considerando-se as necessidades locais e sua cultura. Portanto, em uma determinada região onde se encontrava maior dificuldade com relação à colheita, era para a deidade afim a esta atividade que a população oferecia seus sacrifícios. Com a captura de escravos oriundos de lugares distintos durante a diáspora negra, a relação entre as crenças ancestrais de um e de outro passaram a co-existir, formando-se, desta maneira, um panteão mitológico que passou a agregar múltiplas qualidades divinas nos sul-americanos em que foram adotados.

De acordo com os livros Lendas Africanas dos Orixás, do fotógrafo, etnólogo e antropólogo franco-brasileiro Pierre Fatumby Verger, e Mitologia dos Orixás, de Reginaldo Prandi, Oxóssi (também grafado como OṣóòsiỌṣọọsì, Òsò wúsí ou Oxowusi) – outrora conhecido como Oxotocanxoxô – foi um caçador da região de Irém que, durante uma festividade promovida por Olofin, o rei de Ifé (Ifè ou Ilé-Ifẹ̀, antiga cidade localizada no sudoeste da Nigéria), para celebrar a colheita anual de inhame, abateu com sua única flecha um grande pássaro enviado pelas feiticeiras Iá Mi Oxorongá (ou Iyámi-Òsóòróngá), insatisfeitas por não terem sido convidadas para o evento.

Graças a este feito, aqueles que ali se encontravam passaram a cantar em sua honra: “Òsò wúsí”, que na língua Yorùbá quer dizer: “O guardião é popular”. Assim Oxotocanxoxô passou a ser conhecido como Oxóssi.

Alguns também o chamam por Odé, termo oriundo do yorùbá Odẹ, que quer dizer “caçador”.

Rei de Kétou

Em algumas versões desta história, atribui-se ao seu desfecho a razão pela qual o caçador teria se tornado rei de Kétou (Ketu, região localizada na República do Benin).

Em outras, é dito que sua coroação teria sido garantida por Orunmilá, mediante a ajuda que Oxóssi teria prestado ao sacrificar uma ave para o orixá das adivinhações ou, ainda, quando perseguido por seus companheiros de caça após ter se evadido de retornar com comida à aldeia em que morava, sendo resgatado por Oxum e levado até Kétou.

Símbolos e ferramentas de Oxóssi

Oxóssi carrega consigo o ofá (arco e flecha), o ogê (um tipo de chifre de boi que é usado para emitir um som chamado Olugboohun, cuja tradução é: “Senhor, escuta a minha voz.”) e o Iru Kere (cetro com rabo de cavalo, boi ou búfalo, que ele usa para manejar os espíritos da floresta).

Sincretismo

Devido à forte influência cristã durante o período colonial e à perseguição ao Candomblé Ketu no Brasil, muitos dos orixás cultuados pelos escravos passaram a ser sincretizados com os santos católicos. Desta maneira, Oxóssi passou a se relacionar com a imagem de São Sebastião, no Rio de JaneiroSão Paulo e outras cidades do Centro-Sul do Brasil, e à de São Jorge, na Bahia.

A razão pela qual a comunicação entre estes arquétipos é estabelecida se deve ao fato de que Oxóssi, na Umbanda, é visto como um caçador de almas e de homens da mesma forma com que São Sebastião se propôs em vida a professar a fé cristã, atuando como um diligente mensageiro, a despeito da objeção do imperador Diocleciano.

Tanto São Sebastião quanto São Jorge foram oficiais reconhecidos da guarda romana, tendo sido posteriormente martirizados.

Convém, ainda, lembrar que na santería cubana, Oxóssi é associado a São Alberto Magno, frade dominicano notabilizado por seu conhecimento teológico, e a São Norberto de Xanten, monge holandês fundador da Ordem dos Cônegos Regulares Premonstratenses, que durante sua juventude, orientou-se tão somente aos prazeres mundanos, arrependendo-se posteriormente após sobreviver à queda de um raio – milagre que o fez voltar-se em favor de sua .

Oxóssi na Umbanda

Com o surgimento da Umbanda, em 1908, Oxóssi passou a ser considerado o patrono da linha dos caboclos – guias de direita que atuam sobre o equilíbrio físico e espiritual dos seres humanos e que, em determinadas situações, podem se disponibilizar para a quebra de demanda, amparando os guias de esquerda.

Oferendas

Dentre as muitas oferendas ofertadas a Oxóssi, encontram-se aquelas que se associam às cores deste orixá, como o milho cozido, o coco em lascas, a rosa branca, a cerveja, o licor de caju e velas brancas, amarelas e verdes.

Relação com outros arquétipos

Embora as associações arquetípicas nem sempre sejam perfeitamente cabíveis ao se relacionar deidades pertencentes a diferentes panteões mitológicos, alguns ocultistas costumam entrecruzar tais referências em seus estudos. Como este site tem por intuito aprofundar todo e qualquer conhecimento ligado às várias facetas do misticismo e do esoterismo – assim como desmistificar ou corrigir aquilo que não convém, concordamos com alguns estudos cabalísticos e astrológicos que aproximam Oxóssi do arquétipo mercurial de Hod, na Árvore da Vida (Otz Chiim ou Etz haChayim), assim como também se pode conectar Exu a esta səphîra (ספירה) e ao que ela representa. Tanto um orixá quanto o outro costuma ser mencionado quando o intelecto e a comunicação estão em questão, e estes são alguns dos principais aspectos que Hod sustenta.


Da mesma maneira, nota-se a possibilidade de associação entre o orixá das matas e Chesed, esfera que se associa a Júpiter, no panteão romano, ou Zeus no panteão grego. Júpiter é o rei dos deuses, e na astrologia, é o planeta que expande tudo aquilo que toca. Assim como Oxóssi, trata-se de uma deidade despretensiosa e que, com relação ao sexo feminino, não procura envolvimento, mas apenas prazer.



Portanto, é fácil ligar os pontos e conceber esta relação, tendo em vista a energia que Oxóssi manifesta (fartura e abundância através de recursos materiais).

De uma forma ainda mais particularizada, encerramos esta publicação sugerindo ainda que Oxóssi possa estar relacionado ao eixo composto pelos signos de Gêmeos e Sagitário.

Ọdẹ òkè àró!